Resposta rápida: para quem passa muitas horas na cama mas ainda se mexe, um colchão ou sobrecolchão de espuma viscoelástica (estático) costuma ser suficiente para prevenir escaras. Para quem está acamado de forma permanente, não consegue mudar de posição sozinho ou já tem uma escara, o mais indicado é um sistema de pressão alternada, com compressor. Em qualquer dos casos, o colchão não substitui as mudanças de posição.
Escolher um colchão anti-escaras é uma das decisões mais importantes para quem cuida de alguém acamado. Neste guia explicamos as diferenças entre os tipos de colchão, como escolher segundo o grau de risco e o que mais pode fazer para proteger a pele de quem cuida.
O que é uma escara e porque é que o colchão importa
Uma escara (úlcera por pressão) é uma lesão da pele e dos tecidos por baixo dela, causada pela pressão prolongada sobre a mesma zona — sobretudo nas zonas ósseas, como o sacro (fundo das costas), os calcanhares, as ancas e os cotovelos. Quando uma pessoa fica muitas horas na mesma posição, o sangue circula mal nessas zonas e a pele começa a sofrer.
Um colchão anti-escaras ajuda de duas formas: distribui melhor o peso do corpo, reduzindo a pressão nos pontos de maior apoio, ou vai mudando os pontos de apoio ao longo do tempo, no caso dos sistemas de pressão alternada.
Os dois grandes tipos de colchão anti-escaras
1. Colchões estáticos (espuma e viscoelástico)
São colchões ou sobrecolchões de espuma, muitas vezes com uma camada viscoelástica que se molda ao corpo. Não precisam de eletricidade nem fazem ruído.
- Indicados para: prevenção em pessoas com risco baixo a moderado, que passam muito tempo deitadas mas ainda conseguem mexer-se ou ser posicionadas com regularidade.
- Vantagens: silenciosos, sem manutenção, confortáveis e estáveis.
- Limitações: não substituem a mudança de posição e podem não ser suficientes em casos de risco elevado.
2. Sistemas de pressão alternada (com compressor)
São colchões ou sobrecolchões formados por células de ar que um compressor enche e esvazia alternadamente. Assim, o peso do corpo vai mudando de apoio ao longo do tempo, aliviando a pressão em cada zona.
- Indicados para: pessoas acamadas de forma permanente, com pouca ou nenhuma mobilidade, ou com risco elevado de escaras.
- Vantagens: alívio ativo e contínuo da pressão.
- Limitações: precisam de eletricidade, fazem algum ruído e pedem atenção ao funcionamento do compressor.
Sobrecolchão ou colchão? O sobrecolchão coloca-se por cima do colchão que já existe; é a solução mais económica e fácil de instalar. O colchão completo substitui o atual e é, em geral, mais estável e indicado para uso prolongado.
Como escolher: uma regra simples por situação
| Situação da pessoa | Tipo de colchão mais indicado |
|---|---|
| Passa muitas horas deitada, mas mexe-se sozinha | Colchão ou sobrecolchão estático (espuma / viscoelástico) |
| Passa muitas horas deitada e precisa de ajuda para mudar de posição | Estático de maior qualidade ou sobrecolchão de pressão alternada |
| Está acamada de forma permanente e quase não se mexe | Sistema de pressão alternada |
| Já tem uma escara | Sistema de pressão alternada, com orientação do enfermeiro ou médico |
Esta tabela é uma orientação geral. O grau de risco de cada pessoa deve ser avaliado por um profissional de saúde — por exemplo, o enfermeiro de família, que usa escalas próprias para isso.
O que verificar antes de comprar
- Medidas: confirme a largura e o comprimento da cama (ou da cama articulada) para que o colchão encaixe bem, sem folgas.
- Altura: com um sobrecolchão, a cama fica mais alta — verifique a altura das grades laterais, se existirem.
- Capa: prefira capas impermeáveis e fáceis de limpar, sobretudo em caso de incontinência.
- Peso do utilizador: confirme o peso máximo indicado pelo fabricante.
- Ruído e eletricidade: nos sistemas de pressão alternada, considere onde fica o compressor e se há uma tomada perto da cama.
O colchão é só uma parte da prevenção
Nenhum colchão, por melhor que seja, dispensa os outros cuidados:
- Mudar de posição com regularidade, segundo a indicação do profissional de saúde.
- Proteger as zonas de maior risco, como os calcanhares, com calcanheiras e almofadas próprias.
- Manter a pele limpa, seca e hidratada, e observá-la todos os dias à procura de zonas vermelhas.
- Cuidar da alimentação e da hidratação — a nutrição tem um papel importante na saúde da pele.
Pode ler mais no nosso artigo Como prevenir uma escara e no guia sobre suplementos para feridas e úlceras por pressão.
Na Saúde em Sua Casa
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Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre um colchão anti-escaras estático e um de pressão alternada?
O estático (espuma ou viscoelástico) distribui o peso do corpo por uma superfície maior. O de pressão alternada tem células de ar que um compressor enche e esvazia, mudando os pontos de apoio ao longo do tempo. O segundo é indicado para risco mais elevado.
Um sobrecolchão de pressão alternada chega?
Para muitas situações em casa, sim — é a solução mais simples e económica. Para uso prolongado ou risco muito elevado, um colchão completo pode ser mais estável. Siga a indicação do profissional de saúde que acompanha a pessoa.
Com um colchão anti-escaras ainda é preciso mudar a pessoa de posição?
Sim. O colchão reduz a pressão, mas não substitui as mudanças de posição nem os restantes cuidados com a pele.
O colchão anti-escaras faz barulho?
Os colchões estáticos não fazem barulho. Os sistemas de pressão alternada têm um compressor que faz algum ruído durante o funcionamento.
Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento de um profissional de saúde.
